Eu fico triste com tristezas que não deveriam me pertencer, da mesma
forma que me alegro com vitórias que não são minhas. Fico pensando como tantas
pessoas podem se meter na vida do outro por simplesmente acharem que devem, sem
saber nada, nada, nada, que pode estar se passando.
Vejo como as pessoas estão, na maioria, prontas para julgar, para apontar,
dizer se gosta ou não da pessoa ou da atitude. Falam de como alguém é a primeira
vista sem nem se dar ao trabalho de conhecer, nem que seja por cinco minutos.
Julgam por uma ação, sem saber quantas histórias emaranhadas tem só naquela
vida, quanta coisa já teve que engolir, quantas marcas estão ali sem
cicatrizar, quantas surpresas ela já teve que superar.
Querem logo rotular o outro e separá-lo por categoria. São tantas
pessoas perfeitas vivendo nesse mundo e eu ficando cada vez mais assustada. E
nem vejo isso como uma questão de religião. Vejo como uma questão de
humanidade. De se ver como humano, saber que erra e que o outro também está
passível a isso. Se pararmos um único segundo que seja já vamos lembrar que
somos cheios de defeitos. Será que não podemos lembrar disso ao julgar o outro?
Será que não podemos apenas compreender ao invés de apontar?






